APROPRIAÇÃO - TRANSFORMAÇÃO - REELABORAÇÃO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

APROPRIAÇÃO - TRANSFORMAÇÃO - REELABORAÇÃO

 

 

                   Pedi p’ro meu Maguinho:

                   - Diga p’ra mim um poco dos nome novo que vi dizê nas tele de hoje.

                   - Diz p’ra mi, Zorrinho, qual nome incomoda.

                   - São treis, Maguinho: Propriação-Trasformação-Relaboração.

                   - São três nomes de técnicos, dessas pessoas que falam para ensinar aqueles que ensinam. Lhe conto uma anedota:

 

                   Um dia, um guri levou da sua mãe um punhado de doces, dessas balas que as mães compram para ir dando para os guris e entreter as crianças. Foi escondido roer os pequenos bloquilhos doces enrolados no celofane. Doces demais. Desses docinhos que atracam nos dentes que nem mais desgrudam e a língua vira em cãibras para desgrudá-los do céu-da-boca e da dentama toda.

 

                   Mas o guri se enfarou de tanto doce e viu que tinha muito ainda na sua mãozada toda que tinha surripiado do embrulho da sua mãezona. Roubou o prazer de ela dar para ele, cada dia, nas horas difíceis do dia, um bom-bom destribuído assim todo o diazinho, na semana todinha num mês inteiro, ao invés de dar para ela esse prazer, furtou os cobiçados bom-bonzitos para morder todos eles, como o largato faz com os ovos todos,  quando rouba da galinha.

 

                   Assim, viu o guri sua boca enfarada daqueles bloquilhos doces demais e a sua mancheia.

 

                   Foi quando viu um formigueiro bem vistoso no chão no meio dos capins e das ervas que sua mãe plantara. Não pensou mais uma vez. Abriu uma covinha na terra fofinha e arranjada da casa das baixinhas nervosas. Botou dentro uma balinha daquelas que se estreitavam entre seus dedos. E ficou olhando!

 

                   As nervozinhas logo apontaram e afloraram. Era como uma nuvem delas. Saíam, saíam rapidinhas do buraquinho. Avançavam mais e mais. Nervosas formiguinhas! Umas nem viam as outras, tamanho era o seu nervo! Prontas p’ra morder. Fosse quem fosse. Pobre do Louva-deus que acharam. Levou a culpa. A balinha? Nem viram! Só no começo. Logo uma pilha delas s’aferrou no docinho. Eram mil delas, duas mil; mais mil; ainda outras mil. A balinha logo virou formiga só.

 

                   Agachado, o guri devorou com sofreguidão curiosa a montanha de formigas sobre a balinha. Era como uma canção silenciosa. Como num êxtase, via tudo, olhava tudo, queria ver acontecer. E veio a noite sem ter ele visto o fim.

 

                   A noite viu estrelas cintilantes, brisa suave, vagalumes curiosos, cantos lúgubres nas soturnas  trevas. Até o despertar do galo, a noite era negra. A canção nova do alvorecer trouxe o acordar daquele que sonhara, ainda deslumbrado com sua curiosidade que persistira noite adentro, no cala-te-boca-segredo-para-si.

 

     Esquecido dos outros doces restantes, com o sol evaporando o sereno, intrépido foi correndo voltar à cena do dia anterior. A cada transporte de pernas. uma idéia diferente extravasava outra em sua imaginação. Em sua corrida, viu o formigueiro, chegou, fixou-o. A balinha? Já não era. Apenas, em seu lugar, sobrara uma reentrância. Nem a covinha, nem as formiguinhas. Silenciosas dormiam? Tão nervosas, tão intrépidas, de sanha má, agressivas, devoradoras!

 

                   Na sua pergunta constante, abriu a camada superficial do formigueiro. O que viu? muitas formigas adultas, muitas formiguinhas novas - porvir da família - ovos, muitos ovos, formigas aladas, formigas aladas, formigas aladas e outras formigas aladas, matrizeiras.

 

( Cornélio Angelo Marcon - 05-02-98

(Texto produzido para explicar os aspectos de apropriação, transformação e re-elaboração de conteúdos de ensino pelos alunos ) 

 

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