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Literatura
Alma da imigração
Pesquisas desvendam a essência do italiano vindo do Vêneto
LILIAN SIMIONI/ Joaçaba
Relatar algo já contado centenas de vezes não foi o objetivo de Cornélio Marcon em Sonho da Terra. Mais aprofundado do que o relato da Guerra do Contestado, do caso de sua família ou a imigração italiana no Meio-Oeste, o livro aglutina todas essas histórias. Ainda alia elementos literários, trazendo um personagem fictício que só não fala com o leitor porque faz as perguntas e ele próprio as responde.
A maior intenção, segundo Marcon, foi desvendar a alma do imigrante italiano da região do Vêneto que veio para o Brasil e sua família instalada no Meio-Oeste. As conclusões vieram da pesquisa, observação, das experiências vividas e ouvindo vários depoimentos de pessoas mais idosas, como sua mãe e irmãos, que moraram na cidade hoje chamada de Ouro, na época, distrito de Capinzal.
- O imigrante e seus filhos eram pessoas extremamente bondosas, simples, de quase um primitivismo. As dificuldades para desenvolver sua ambição, que era apenas ter seu pedaço de terra e construir uma casa para a família foram muito grandes e permeadas por injustiças sociais, o que contrastava com a alma do imigrante, muito justa.
Assim, Marcon explica que para contar a história da terra foi essencial relatar os conflitos do Contestado. As várias versões de diversos autores foram comparadas e tudo o que era ponto comum entrou no livro. A adoção desse método se deve ao fato de haverem muitas divergências e da história dos conflitos serem muito amplas.
A associação dos dois focos narrativos é facilitada com o uso de um personagem, um boiadeiro de Sorocaba leva gado para o Rio Grande do Sul. Mas o mais difícil, conforme Marcon, foi aprender a escrever a linguagem vêneta. Como sua família também tem origem vêneta, Marcon sabia falar, porém não escrever.
Marcon juntou material para o livro durante dois ou três anos. Em 2005 começou a escrita e o lançamento foi no início do ano, mas o escritor continua a divulgação pelo estado. O próximo projeto é o livro Alice, que leva personagens do Sonho da Terra para outra época, quando o autor conta as diferenças de trajetórias dos filhos dos caboclos expulsos por conta da construção da estrada de ferro e dos filhos dos donos de terras, dos coronéis da região.
Sonho da Terra - Cornélio Angelo Marcon. Ed. do Autor. 221 páginas. R$ 26 preço médio.
( lilian.simioni@diario.com.br )
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Universidade do Oeste de Santa Catarina
Data: 05/10/06 - Horário: 13:24:41
Sonho da Terra, de Cornélio Marcon, será lançado nesta sexta-feira no Auditório Afonso Dresch
Sonho da Terra resultou de um longo trabalho de pesquisa do autor Cornélio Angelo Marcon que integrou, por doze anos, o corpo docente dos cursos de Licenciatura da Unoesc Campus de Joaçaba. É um romance histórico, vivido em parte, pelo escritor, natural de Capinzal, professor, hoje residente em Florianópolis. Constrói-se com personagens e fatos de uma família, em geografia marcada no mapa desde o planalto central ao Oeste do Estado, principalmente no Meio-Oeste catarinense, no período após os conflitos do Contestado.
Os dez capítulos revelam a trajetória de Nelo e Pina, casal progenitor de Marcon. A saga da família e o sonho de conquistar a própria terra são narrados na história que evidencia toda a carga familiar, étnica e cultural veneta. A chegada dos protagonistas na terra, à sombra de um parente (primeiro capítulo), em nada refreou o ideal de adquirirem logo, à dureza de lutas e trabalhos, um pedaço de chão onde poderiam viver e produzir (segundo e sexto capítulos). Trabalham, constroem, estabelecem limites, rodeiam-se de filhos e, mesmo com todas as dificuldades inerentes à época, dia após dia, adquirem posses, bens e méritos. Simultaneamente, formam uma constelação de figuras-símbolos (seres da natureza e pessoas, figurações da vida, do meio, da cooperação e da hostilidade) que acompanham seu viver, ora submissos, ora ferozes, ora vorazes de suas vidas (terceiro, quarto e oitavo capítulos principalmente).
A obra narra o estilo de vida de imigrantes italianos que migraram do Rio Grande do Sul, entre as décadas de trinta e sessenta do século vinte, mas que se liga às raízes da ambição argentina nas questões dos limites com o Brasil, e do Paraná com a pretensão sobre as terras contestadas. Por isso, a linha histórica alcança o final do século dezenove, com a questão da Tríplice Aliança – Brasil, Uruguai e Argentina –, o início do século vinte, com os contratos da construção da Estrada de Ferro São Paulo/Rio Grande do Sul (1907 a 1910), a questão do Contestado (1912 a 1916) e estabelece o plano dos personagens da narrativa no período após esses conflitos, com a migração gaúcha composta de descendentes italianos, alemães e poloneses principalmente na região.
O lançamento ocorre nesta sexta-feira, dia 06 de outubro, às 19h30, no Auditório Afonso Dresch.
Fonte: Setor de Comunicação e Marketing