Poemeto Alice - ecilA – Mulher:
VI-TE MUITAS VEZES.
PELOS CORREDORES, SALAS, PORTAS ADENTRANDO;
FOSTE, ÉS, É!
QUEM ME DERA A TUA PERSEVERANÇA!
QUEM ME DERA TUA ESPERANÇA!
QUEM ME DERA A TEMPERANÇA
DE SEMPRE ESTAR ALERTA,
SEMPRE TER INCERTA
E HUMILDADE ABERTA
NA HORA DA DOR
E DA NEGRA COR
O SORRISO, A FLOR
PARA QUEM
É OU NÃO
É
PR’A MIM!
OU É
PR’A SI
SOMENTE
E P’R’OS OUTROS
MENTE
DE SI
DESCONTENTE.
VICEJE TUA MENTE, ALMA E CORAÇÃO!
QUE NA HORA DE TE ENCONTRAR C’O IRMÃO
NÃO TE VÁ FUGIR A RAZÃO, A EMOÇÃO!
MAS QUE VICEJE O QUE DE MELHOR ESTABELECESTE
PARA OS OUTROS
PARA A PAZ QUE EM TI FORTALECESTE.
BUSCA SEMPRE FORA
COMO SEMPRE BUSCASTE
IN.
EX
NÃO MELHORA
QUANDO
EX NADA TEM NO IN!
VIVENCIA A
CARMEN
PORQUE CARMEN
É CANTO NÃO DISPERSO
E NADA PEDE QUE NÃO DESARMEM
SENDO QUE A VIDA TE SÃO VERSOS,
VERSOS, VERSOS, VERSOS!
CARMEN!, CARMEN!, CARMEN!!
Água Doce, 04 de dezembro de 1997.
Cornélio Marcon.
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(Composto um dia após “A morte e o merlo”, no esmo local, a mesma Insistente ave, como
era insistente a lembrança do olhar do papai. Amava-me. Olhou-me há um ano, com olhar
terno, desculpando-se de não ter me proporcionado uma pescaria.)
Ó ave, teu canto de cetro
Vibrando, me vês em defluxos.
Tem dó, guarda lá o teu plectro,
Calada me ouves: - “Soluço!”.
És lira pujante em vida,
Só tu que o azul não aquece,
Gozando o amor em tua ida
Só a mim vem a dor que enlanguesce.
E o trino sagrado da ave,
Como o óleo me entra na alma
Dos sulcos da dor é a chave...
Soluço, que expandes ao léu,
Gemer todo incauto, ó trama!
Me trazes do gozo um véu.
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QUE BOM É O FINAL DE ANO!
FINAL DE ANO TEM NATAL,
TEM BOM-BOM, DOCES, NOVIDADES.
TEM LUZES, TEM BEM-ME-QUER!
TEM NOVENA PRA CONVERSAR.
TEM COMPRAR-PRESENTES- P’RA-MOSTRAR-O-AMOR.
E TEM “TOMÉM” O DEUS menino!
as luzes brilham mais bonito
embora sendo as mesmas bonitas luzes.
as velas têm brilho mais de esperança do que de luz,
até parece me contarem do que tenho dentro de mim, em-mim-p’ra-mim.
SEI QUE VIVI O ANO TODO CORRENDO.
CORRI ATRÁS DE TUDO, DE MIM MESMO ESQUECI!
esqueci não! dentro de tudo estava eu a construir meu reino!
quando alguém “pegou-no-meu-pé”, resmunguei, não gostei, devolvi, desafiei
e nem pensei se o que me pegava era para eu olhar para ele.
Talvez precisasse de meu sorriso.
Talvez precisasse de minha mão.
Talvez precisasse de minha palavra.
Talvez me ensinasse “uma Direção” -
quisesse isso! quisesse isto! quisto, quisto, - Cristo!!!
Fu-toda-p’ra mim!
Perdida-em-mim-me-afoguei!
Escondida-em-mim-não-me-achei!
Fechada-em-mim-não-me-vi-assim-tão-despida-desnuda-sofrida “!!!”
Quando falei, exclamei, extroverti, reclamei, lamentei, achincalhei, desamei
fui-me-útil-p’ra-mim
p’ra-quem-precisava-ouvir-minh’alma-non-mon-grito
fechado, meu, eloqüente, reivindicante?
O MEU CANTO, AGORA, É DE ALEGRIA!
ALEGRE PELO PRESENTE.
PRESENTE DE ESPERANÇA.
PRESENTE-PRESENÇA.
CANTAREI NO AMANHÃ A CANÇÃO DA PRESENÇA!
QUEM ME DERA RETORNAR E REFAZER ...
REFAZER OS ELOS PERDIDOS
NÃO OS QUE PERDI
AQUELES QUE DEVIA UNIR E DESATEI!
MEU CANTO, AGORA, HOJE,
É-DE-PAZ
PAZ-DE-NATAL HÁ
DE QUEM
AH!
Cornélio Angelo Marcon
Abraço amigo!
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(Soneto composto ao ouvir o canto de uma corruíra, em meu quarto, na hora da reflexão da tarde,
dez dias após a morte de papai.
Ó ave, me deixa pensar!
Sagrado, em silêncio, rezar;
Teu piu me arranca um sonhar;
Sonhar, sim, diga antes: “Chorar”!
Sussurro funéreo de ave,
Que amor! - Onde buscas a cor?
Sentido. provoco-te, clave,
Por que tu me trazes a dor?
Medito? Oh, não, ave, te ouço!
Vagueio sonhando co’a dor,
Cantando-te, dor, com soluço:
Se, ó canto, a tua sorte
É Deus ser da vida e da morte,
Soluços me trazes da morte!
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Ecila anverso de Alice.
Alice anverso de ecilA.
No contragosto de Alice
Ecila mergulha em Alice.
E no amplexo de Alice
Ecila se faz Alice.
No espelho de Alice
Ecila se lê.
Ecila se faz
Em reflexo de Alice.
Ecila, bem longe de ser Alice,
No espelho se faz Mulher.
Nele se lê em reverso
E de Ecila Alice se lê.
Alice, mulher de verdade,
Em desejos se constrói,
Mas em cada gosto perdido
O ego ferido se dói.
De menina Alice se apruma
Em Ecila por encantos
Por tantos e quantos
Que perde o rumo que toma.
No destino perdido
A Ecila é a mulher formada,
Mas na dor se espelha quando
Torna seu nome não ter sentido.
Alice, mulher de verdade,
Do universo se diz coração,
Que, centro do sentimento,
Sempre rebate a razão.
Mas razão e sentimento,
Forças e gêmeas almas,
Debatem-se no assento
De controvérsias insanas.
Se Alice se preserva
No coração e na razão,
Em Alice se conserva
E se faz predileção.
Mas se Alice se destempera
E segue a emoção,
A alma do mundo emperra
E Ecila deixa de ser canção.
Cornélio Ângelo Marcon
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